quinta-feira, 8 de março de 2012

Justiça manda suspender reintegração de posse em favela na Grande SP

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A reintegração de posse da ocupação conhecida como favela do Savoy, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, foi suspensa pela Justiça na última sexta-feira (1). A decisão é do desembargador Mauro Conti Machado, da 19ª Câmara de Direito Privado.
Com isso, cerca de 3,5 mil pessoas que moram no local há cerca de 9 anos podem permanecer ali até que a Justiça analise o caso. A suspensão foi dada após pedido da Defensoria Pública de São Paulo.
"Não se pretende impugnar a decisão que determinou a reintegração. O que se almeja é a suspensão da ordem até que o poder público proporcione condições mínimas de abrigamento para as pessoas que serão removidas", disse a defensora pública Carolina Dalla Bedicks, que atua no caso.
Bedicks diz que é necessário haver um planejamento de atendimento habitacional quando a ordem for cumprida. "Serão cerca de 3,5 mil pessoas na rua, sem local sequer para serem abrigadas. E, pior, cerca de 1,2 mil crianças e idosos", disse ela.
A Defensoria havia solicitado anteriormente que a saída das pessoas que moram na área fosse prorrogada por 90 dias, mas o pedido foi negado.

Juca Varella - 28.fev.12/Folhapress
Cerca de 800 famílias moram na favela do Savoy, em Carapicuíba(SP); o terreno teve a reintegração de posse ordenada
Cerca 3,5 mil pessoas moram no Savoy, em Carapicuíba(SP); terreno teve a reintegração de posse ordenada
O pedido de reintegração de posse foi feito em 2005 em nome de Humberto Salomone, herdeiro da Savoy Imobiliária Construtora, de quem a comunidade empresta o nome. Fundada em 1952, a empresa acumulou até hoje ao menos 180.000 m² comerciais em São Paulo.
Entre eles o da Galeria Olido, com 29.200 m², que foi alugado pela Prefeitura de São Paulo para a Secretaria da Cultura, por R$ 429 mil por mês, segundo a Savoy.
A empresa tem fama de possuir a maior conta de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de São Paulo, o que a Savoy classifica como "lenda".
Levantamento feito pela Folha mostrou que, em 2009, os shoppings do grupo na capital paulista encabeçavam a lista dos devedores do imposto, com R$ 86,2 milhões em atraso, ou 57% da dívida do segmento.
A empresa diz que moveu ações discutindo erros de lançamento do IPTU, mas depositou o valor em juízo, o que suspende o direito da prefeitura de cobrar o imposto até a decisão da Justiça. 

 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1057573-justica-manda-suspender-reintegracao-de-posse-em-favela-na-grande-sp.shtml

Sem tetos criam dois novos Pinheirinhos

Terça, 06 Março 2012 14:09
060312_pinheirinho12Brasil de Fato - [Michelle Amaral] Na noite de sexta-feira (02), o MTST realizou ocupações em Embu das Artes e Santo André, na região metropolitana de São Paulo

Na noite da última sexta-feira (02), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizou a ocupação de duas áreas na região metropolitana de São Paulo: uma no município de Embu das Artes e outra e no município de Santo André.
O MTST nomeou as ocupações de "Novos Pinheirinhos" em protesto ao despejo violento da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, promovido pela Polícia Militar (PM) em 22 de janeiro. As 1,6 mil famílias que ocupavam há oito anos o terreno pertencente à massa falida da empresa Selecta, do grupo de Naji Nahas, foram expulsas em uma ação que contou com um forte aparato policial - 2 helicópteros, dezenas de carros e 2000 de policiais.
Com as novas ocupações, o MTST visa "a conquista de moradia por aqueles que há tempos vem lutando por uma vida mais digna". De acordo com o movimento, a cidade de Embu das Artes possui um déficit habitacional de cerca de 9 mil moradias, conforme dados de 2011. Já em Santo André, o déficit é de 25 mil habitações.
Embu das Artes
Em torno de 800 famílias sem teto ocuparam o terreno conhecido como "Roque Valente", entre os bairros Parque Pirajuçara e Jardim Santa Tereza, em Embu das Artes (SP). Segundo nota do MTST, o terreno pertence à Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), que adquiriu a área para construir moradias para a população de baixa renda. A CDHU chegou a elaborar um projeto no qual previa a manutenção da vegetação, através de um Parque Ecológico, e a construção de 1,2 mil unidades habitacionais. "Tal projeto nunca saiu do papel visto que, em 2006, um grupo de ambientalistas contrários à proposta das moradias populares conseguiu uma liminar do Ministério Público proibindo construções no local", afirma a nota.
Segundo o MTST, na tarde deste domingo (4), representantes da CDHU, juntamente com a Tropa de Choque da PM, estiveram na ocupação e tentaram retirar as famílias "sem qualquer ordem judicial". Os sem teto resistiram e conseguiram a realização de uma reunião com o presidente da CDHU, Antônio Carlos Amaral, e o prefeito de Embu das Artes, Chico Brito (PT). "Tanto a Prefeitura quanto a CDHU afirmaram o interesse de construção de 1200 moradias para atendimento das famílias organizadas pelo Movimento, priorizando as famílias da região de Embu", afirmou o MTST em nota. No entanto, por causa da liminar judicial, nada pode ser feito até que a Justiça estadual reveja o caso.
O MTST defende que a construção das habitações populares conciliada com a conservação da mata pela população local "é a melhor solução para garantir o bom uso deste terreno público, hoje completamente abandonado". "A regulamentação do terreno como área de ocupação mista, feita pela prefeitura recentemente, permite a implementação desta solução que concilia a necessidade de preservar o meio ambiente e de criar novas moradias na região", destaca o movimento.
Nesse sentido, o prefeito de Embu das Artes e o presidente da CDHU se comprometeram a tentar nesta segunda-feira (05) uma reunião no Fórum de Embu para tratar da questão. Segundo Vanessa de Souza, que participa da ocupação, a reunião está ocorrendo desde esta manhã. "Vamos fazer uma assembleia às 18h e já teremos uma resposta desta reunião", afirmou a sem teto.
Santo André
Já em Santo André (SP), cerca de 400 famílias sem teto ocuparam um terreno de propriedade particular no Jardim Santa Cristina. De acordo com o MTST, o objetivo da ação é cobrar a continuidade da construção das 400 moradias já negociadas com a prefeitura de Santo André em 2009. "Depois de muitas lutas na cidade, de vários esforços de negociação – todos fracassados – a ocupação surge como a única opção para fazer valer o acordo já estabelecido e ampliá-lo para que beneficie mais famílias no município que cada vez mais sofre com a especulação imobiliária", defende o MTST em nota.
Andrei Renan Pires, integrante do MTST, afirma que somente nesta segunda-feira os sem teto foram procurados pela prefeitura de Santo André, após a Polícia Militar (PM) comparecer ao local da ocupação. Segundo ele, a prefeitura se dispôs a conversar ainda hoje com representantes do movimento.

  http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=24996&Itemid=176&thanks=13

MULHERES NA LUTA POR REFORMA URBANA: POR QUE OCUPAMOS AS RUAS

União Movimento de Moradia do Estado de São Paulo (UMM-SP), União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Rede Mulher Habitat e Central de Movimentos Populares (CMP) ocupam edifício abandonado na Rua Quintino Bocaiuva, no centro de São Paulo.

Nós, Mulheres dos Movimentos Populares e da luta pela Reforma Urbana, neste dia 08 de março de 2012, ocupamos para reivindicar políticas públicas inclusivas e democráticas, para denunciar a violência nos despejos, a falta de habitação, a criminalização das lutas e das lutadoras do povo, a falta de condições mínimas de vida nas cidades e a subtração de direitos conquistados pela luta popular.
 

As cidades estão distantes de oferecerem condições e oportunidades iguais aos seus habitantes. As Mulheres Sem Teto, em sua maioria, estão privadas ou limitadas em seus direitos em virtude de sua situação de pobreza e violência cultural, étnica, de gênero, de idade, enfrentando dificuldades para satisfazer as necessidades básicas de suas famílias.
Contribuem para isso a falta de políticas públicas direcionadas para as Mulheres, como políticas de Moradia, Saúde e Educação, se somando as graves situações de violência, discriminação e segregação em que são submetidas.


A cidade que deveria ser um espaço de realização de todos os direitos humanos e das liberdades fundamentais, assegurando a dignidade e o bem estar coletivo de todos e todas invariavelmente é uma cidade agressiva aos pobres. Somando-se a isso, as desigualdades de Gênero se intensificam a cada dia.


Diante destes problemas, as Mulheres vêm assumindo um papel como sujeito de transformação, vêm se mobilizando, denunciando, atuando como sujeitas de direito e se afirmando em diversos canais de participação, que historicamente lhes têm sido negados.
O tratamento desigual dispensado às mulheres desconsidera a sua contribuição diária às suas organizações para a construção da cidade justa, sustentável e fraterna. O exemplo disso é o grande número de mulheres presentes nas diversas lutas e no enfrentamento por direitos, na liderança de suas comunidades, nas ocupações, nas mobilizações, nos mutirões habitacionais, nos conselhos de saúde, nas associações de moradores, nas federações, sindicatos e nos movimentos de moradia.


Somos todas trabalhadoras na luta por melhores condições de vida, por trabalho e salário justo. Ocupamos pela luta por moradia e outros direitos, para denunciar a opressão e a discriminação contra as nossas famílias Sem Teto e Sem Terra, contra a pobreza e a miséria, contra todas as formas de violência praticadas pelo poder público e pelo capital imobiliário especulativo.

Contra a violência policial, em defesa da Reforma Urbana, somos todas Pinheirinho!
Somos todas Moinho e todas as Comunidade atingidas pelo capital imobiliário!

Somos todas por Justiça! A cidade é do povo! Nela trabalhamos e nela queremos morar com dignidade.

Notícias sobre a ocupação:

250 mulheres ocupam prédio no Centro de SP
Grupo protesta pela falta de políticas sociais em habitação e educação.
Movimento pretende reunir mil mulheres e realizar 'panelaço' em SP.

Cerca de 250 mulheres ocupam desde o início da madrugada desta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, um prédio na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro de São Paulo.

Segundo a assessoria da União Movimento de Moradia do Estado de São Paulo (UMM-SP), União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Rede Mulher Habitat e Central de Movimentos Populares (CMP), a ação pretende protestar pela falta de políticas sociais nas áreas de habitação, educação infantil, reforma urbana e contra a truculência de policiais em recentes desocupações no estado.

Eduardo Anizelli/Folhapress   

O grupo, de acordo com a assessoria, promete reunir mil mulheres até às 14h para fazer um “panelaço” em caminhadas até os prédios do Tribunal de Justiça, Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Prefeitura e Praça da República.
A Polícia Militar acompanha o protesto. Não há registro de tumultos na região. 



 
  http://reformaurbanars.blogspot.com/2012/03/mulheres-na-luta-por-reforma-urbana-por.html

250 mulheres ocupam prédio no Centro de S250 mulheres ocupam prédio no Centro de SP

Grupo protesta pela falta de políticas sociais em habitação e educação.
Movimento pretende reunir mil mulheres e realizar 'panelaço' em SP.

Do G1, em São Paulo
3 comentários
Cerca de 250 mulheres ocupam desde o início da madrugada desta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, um prédio na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro de São Paulo.
Segundo a assessoria da União Movimento de Moradia do Estado de São Paulo (UMM-SP), União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Rede Mulher Habitat e Central de Movimentos Populares (CMP), a ação pretende protestar pela falta de políticas sociais nas áreas de habitação, educação infantil, reforma urbana e contra a truculência de policiais em recentes desocupações no estado.
O grupo, de acordo com a assessoria, promete reunir mil mulheres até às 14h para fazer um “panelaço” em caminhadas até os prédios do Tribunal de Justiça, Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Prefeitura e Praça da República.
A Polícia Militar acompanha o protesto. Não há registro de tumultos na região.
  
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/03/250-mulheres-ocupam-predio-no-centro-de-sp.html

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fórum Nacional de Reforma Urbana no FST - Porto Alegre 2012

O Fórum Nacional de Reforma Urbana juntamente com outras organizações promoveu três atividades durante o Fórum Social Temático.



No dia 25/01 ocorreu a primeira reunião para discutir a consolidação do Fórum SUL de Reforma Urbana. Com a presença de representantes dos movimentos que participam da Coordenação Nacional (MNLM, CONAM, CMP e UNMP) e ONG a reunião representou um passo importante para o fortalecimento dos fóruns regionais.
O encaminhamento principal do encontro foi o agendamento da reunião que acontecerá em Florianópolis no dia 12/02/2012 com representantes dos três estados para consolidação do Fórum SUL de Reforma Urbana.



Já na manhã do dia 27/01 o Fórum Nacional de Reforma Urbana juntamente com a Aliança Internacional dos Habitantes, a No-Vox e a Coalizão Internacional do Habitat promoveu a oficina Reforma Urbana e Meio Ambiente. A oficina oportunizou o debate sobre a importância da construção de uma agenda socioambiental para as cidades e a necessidade de incluir na pauta do FNRU a discussão sobre a Conferência Rio +20.

O Seminário "Movimentos Populares Construindo Alternativas Através do Cooperativismo" ocorreu no período da tarde do dia 27/01. Neste momento, muitos participantes manifestaram seus questionamentos, alternativas e relataram suas lutas para conquistar o direito de morar, de viver e de participar do processo de construção das cidades. Os relatos demonstraram que a luta é permanente, seja diretamente ligada à moradia ou contra a forma como o capitalismo estende suas raízes até a mais tenra idade, crianças e jovens das cidades brasileiras.


Veja mais algumas fotos das atividades.


























































Fotos: Lucimar F. Siqueira











Vídeo realizado pela CoberturaFSTematico

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Os Megaeventos Esportivos e o Direito à Cidade: uma agenda para o Conselho das Cidades

Megaeventos | agenda p/ o Conselho das Cidades
Orlando Alves dos Santos Junior
Professor do IPPUR/UFRJ
Membro do Conselho das Cidades (ANPUR – segmento entidades acadêmicas e profissionais)
Relator Nacional do Direito à Cidade – Plataforma Dhesca
Integrante da Rede Observatório das Metrópoles

Exposição proferida no Conselho das Cidades, no dia 07 de dezembro de 2011, em Brasília.

Essa exposição, dividida em cinco pontos centrais, está baseada fundamentalmente em dois subsídios:

Primeiro, a pesquisa nacional desenvolvida pela Rede Observatório das Metrópoles, denominada “Metropolização e Megaeventos Esportivos: os impactos da Copa 2014 e Olimpíadas 2016”, financiada pela FINEP, que tem por objetivo analisar os impactos das intervenções urbanas em todas as cidades-sedes vinculadas a esses dois eventos.

Segundo, a experiência da Missão da Relatoria do Direito à Cidade, ligada a plataforma brasileira de direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. Na condição de relator nacional, realizamos essa missão no primeiro semestre de 2011, em torno das denúncias de remoções que estavam e continuam acontecendo no Rio de Janeiro, em decorrência das intervenções vinculadas à Copa do Mundo e das Olimpíadas. Durante a missão, foram visitadas diversas comunidades e realizadas diversas audiências em torno dos processos de remoções relacionadas às intervenções urbanas na cidade do Rio de Janeiro, vinculadas à Copa do Mundo 2014 e às Olimpíadas 2016.

O objetivo dessa exposição é apresentar algumas reflexões sobre o processo de intervenção urbana vinculado à Copa do Mundo, tendo em vista o seu caráter nacional (portanto, apesar da sua importância as Olimpíadas não serão objeto da minha intervenção), e levantar temas e questões visando à constituição de uma agenda de trabalho para o Conselho das Cidades.

Em primeiro lugar, é preciso destacar que o Conselho das Cidades está fazendo essa discussão tardiamente, tendo em vista que os projetos de intervenção nas cidades-sedes da Copa estão definidos e muitas das intervenções estão em curso. No entanto, apesar do atraso, essa discussão é estratégica e ainda há tempo de intervir, tendo em vista que grande parte dos projetos ainda não estão detalhados, a maior parte dos editais ainda não foi lançado, e muitas obras ainda não começaram.

Cabe chamar atenção que o projeto da Copa se relaciona diretamente com a política urbana em, pelo menos, três aspectos: (i) mobilidade urbana – ou seja, as intervenções vinculadas à mobilidade urbana; (ii) planejamento e gestão do solo – relacionado à re-estruturação urbana e os processos de valorização imobiliária decorrente das intervenções urbanas; (iii) moradia – sobretudo no que se refere às remoções decorrentes das intervenções urbana. Em outras palavras, o projeto da Copa é do interesse de todo o Conselho das Cidades e exige uma discussão coletiva que envolva o conjunto dos comitês técnicos, ou pelo menos os comitês de mobilidade, planejamento e gestão do uso do solo e habitação.

Por fim, apesar de não ser objeto da minha reflexão, também é fundamental sublinhar a importância da temática do esporte, tendo em vista que 25% dos recursos estão sendo investidos na construção ou reforma dos estádios – cabe lembrar que, excetuando o estádio Beira Rio, todos os demais estádios estão sendo reformados ou construídos utilizando financiamento público ligado ao BNDES. E que grande parte desses estádios estão sendo reformados através de contrato de parceria público-privada. Tudo indica que estamos diante da reconfiguração das práticas vinculadas aos esportes com estádios menores, elitização do público, estágios multifuncionais para recepção de megaeventos, e legitimação simbólica da reconfiguração urbana.

A reflexão em torno dos impactos dos megaeventos parte da hipótese geral de emergência de um novo padrão de governança urbana nas metrópoles brasileiras, caracterizado pelo que a literatura vem denominando empreendedorismo empresarial neoliberal. De uma forma esquemática, pode-se dizer que nesse padrão de governança o poder público assume como responsabilidade central a criação de um ambiente favorável aos negócios, no qual os grandes empreendimentos, os megaeventos e o marketing urbano teriam uma importância central nas estratégias de inserção econômica global, e na qual as parcerias entre os setores público e privado (PPPs) seriam uma das principais estratégias de promoção de serviços urbanos. Essa governança empreendedorista empresarial seria sustentada pela conformação de uma nova coalizão político-social – expressando uma aliança entre agentes econômicos e políticos e frações de classes sociais específicas, dependendo do contexto social de cada cidade. A noção de governança urbana aqui se refere às formas de interação entre governo e sociedade, ou mais precisamente, entre governo, mercado e sociedade.

Buscando contribuir para uma compreensão crítica das transformações urbanas em curso, a exposição está organizada em quatro pontos.

1. O projeto da Copa e o Processo de Reestruturação Urbana das Metrópoles Brasileiras

Os investimentos previstos para a Copa do Mundo de 2014 indicam que estamos diante de intervenções urbanas de grande magnitude, com grande impacto sobre a dinâmica urbana de todas as cidades-sedes. De fato, a maior parte dos recursos está alocada em mobilidade urbana, que representa cerca de 49% do total de investimentos. Do restante dos investimentos, aproximadamente 25% estão alocados na ampliação ou reforma da infraestrutura dos aeroportos e portos, e outros 25% na reforma ou construção dos estádios de futebol. Por fim, pouco mais de 1% dos investimentos está alocado em turismo e segurança.

Em síntese, a importância da Copa do Mundo parece estar menos ligada à realização de um evento em si mesmo (a Copa, as Olimpíadas), e mais ao processo de reestruturação da dinâmica urbana nas metrópoles brasileiras, legitimada e possibilitada pela realização desses megaeventos.

Sob o ponto de vista dos investimentos, pode-se dizer que a realização da Copa do Mundo 2014 (bem como das Olimpíadas 2016) tem como agente econômico protagonista o poder público, responsável ou pelos investimentos diretos ou pelo financiamento das intervenções vinculadas a esses megaeventos.

Tomando como referência a Copa do Mundo de Futebol, estão previstos pouco mais de R$ 17 bilhões entre financiamentos e investimentos, só do governo federal. Somando os recursos dos governos federal, estaduais e municipais, estão previstos mais de R$ 25 bilhões. Nesse ponto, cabe registrar que a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são as duas principais instituições de financiamento do projeto (com aportes de recursos da ordem de 6,6 e 5 bilhões, respectivamente).

Em relação às cidades beneficiadas pelos investimentos, destaca-se o fato das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro receberem a maior parte dos recursos previstos no projeto. Juntos, essas duas cidades devem receber mais que R$ 8,6 bilhões.

Em seguida, em termos de volume de investimentos, destacam-se as cidades de Manaus (2,8 bilhões) e Belo Horizonte (2,5 bilhões).

As quatro cidades-sedes do Nordeste – Salvador, Recife, Fortaleza e Natal - recebem juntas 23% do total dos investimentos previstos.

Cabe registrar que, excetuando-se Curitiba, todas as demais cidades recebem investimentos superiores a 1 bilhão de reais.

Como pode ser observado, há uma relativa relação entre a divisão dos investimentos e a distribuição da população por região do país , com as regiões Norte e Centro-Oeste recebendo proporcionalmente mais recursos em relação a sua população e a Região Sul menos.

Percebe-se também que os governos estaduais e municipais, sem exceção, têm percebido a realização da Copa do Mundo como uma oportunidade de alavancar o desenvolvimento dos seus estados e municípios, reposicionando-os regionalmente ou nacionalmente, do ponto de vista do lugar atualmente ocupado na dinâmica econômica.

2. A Promoção de Políticas Redistributivas – o legado social – e a nova coalização empreendedorista empresarial

A análise dos projetos e das políticas públicas urbanas vinculadas a esses megaeventos esportivos, sobretudo aquelas vinculadas aos programas federais, parecem ser marcadas por componentes redistributivos, ou seja, parecem estar associadas aos investimentos em políticas, equipamentos e serviços urbanos - habitação, saneamento, saúde e educação – nas cidades, parte dos quais destinados as classes populares, o que tem sido identificado como legado social da Copa do Mundo.

Aqui é preciso considerar que o grau em que tais políticas são desenvolvidas é variável em cada localidade e parece estar fortemente ligado à natureza da coalizão empreendedorista empresarial que emerge em cada cidade brasileira.

No quadro das grandes desigualdades sociais que marcam o país, pode-se colocar como hipótese a necessidade desses investimentos em políticas urbanas para as classes populares como requisito para a legitimação do Estado enquanto poder público, e também da coalizão que sustenta essa nova governança urbana empreendedorista empresarial. De fato, não é raro observar nas grandes cidades brasileiras, que ao lado do intenso processo de remoção de comunidades compostas por famílias de baixa renda nas áreas revitalizadas, existem investimentos significativos na urbanização e regularização de favelas e assentamentos precários, sobretudo através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Também se observam importantes investimentos voltados à população de baixa renda, como a regularização fundiária de ocupações de imóveis públicos e o financiamento de empreendimentos habitacionais geridos pelos movimentos sociais de moradia (Programa Minha Casa Minha Vida – PMCMV/Entidades).

No entanto, seja qual for o caráter redistributivo dos investimentos, o projeto de cidade que está em curso parece aprofundar ou, pelo menos, corre o risco de aprofundar, o padrão de urbanização excludente que caracteriza a ordem urbana brasileira.

São diversos os indícios de especulação imobiliária e supervalorização das áreas urbanas que estão sendo objeto de intervenção por parte do poder público, em especial em torno dos projetos de mobilidade urbana. De fato, tudo leva a crer que os investimentos em mobilidade são os principais investimentos de reestruturação das cidades, incidindo sobre a sua dinâmica urbana na perspectiva da (re)valorização de certas áreas e na viabilização dos investimentos na expansão urbana das cidades. O setor imobiliário, dependo da cidade e da área de intervenção, trabalha com índices de valorização imobiliária que variam entre 100% a 1.000% (por exemplo, em Fortaleza).

Aqui, cabe levantar a importância da aplicação de instrumentos de captura da mais valia fundiária associada à valorização imobiliárias dessas áreas. Os instrumentos previstos no Estatuto da Cidade e nos Planos Diretores – em especial a instituição e demarcação de Zeis em vazios urbanos como a outorga onerosa do direito de construir - poderiam estar sendo aplicados tanto para conter a especulação imobiliária como para capturar parte da valorização imobiliária decorrente dos investimentos urbanos.

Cabe ao Conselho das Cidades monitorar a aplicação, pelas cidades-sedes da Copa do Mundo, dos instrumentos previstos nos planos diretores, recomendando a aplicação dos mesmos quando for o caso.

3. Uma nova rodada de mercantilização da cidade acionando processos de acumulação por espoliação: a difusão das cidades neoliberais no contexto brasileiro.

Mesmo que seja possível constatar intervenções urbanas destinadas à ampliação do acesso das classes populares aos serviços e equipamentos urbanos, são claros os indícios de que se está diante de uma nova rodada de mercantilização da cidade, caracterizada pela transformação de espaços, equipamentos e serviços urbanos desvalorizados – e, portanto, parcialmente ou totalmente desmercantilizados – em mercadoria, ou seja, em ativos inseridos nos circuitos de valorização do capital. Esse processo ocorre, seja pela transferência forçada de ativos sob o controle das classes populares para setores do capital imobiliário ou de serviços urbanos, seja pela criação de novos serviços e equipamentos urbanos que serão geridos pela iniciativa privada (por exemplo, na área do transporte, esporte e lazer). Em outras palavras, estar-se-ia diante de uma nova rodada de mercantilização e elitização da cidade, onde certas áreas passam a se constituir em mercadoria destinada as classes médias e altas que têm poder aquisitivo para pagar pelas habitações e serviços que serão oferecidos.

De fato, em quase todas as cidades onde estão ocorrendo intervenções urbanas vinculadas à Copa do Mundo estão ocorrendo ou estão previstas remoções. Efetivamente essas remoções representam a transferência de ativos sob a posse de grupos e classes populares (muitas das quais morando em áreas com situação fundiária irregular) para outros agentes econômicos e sociais que vão comprar e se apropriar desses ativos valorizados. Em geral, essas remoções têm ocorrido desrespeitando-se os direitos coletivos das famílias e comunidades moradoras das áreas de intervenção.

Considerando-se as configurações sociais das diferentes comunidades afetadas pelas intervenções urbanas, pode-se constatar remoções, ou seja, processos de transferência de ativos sob o controle das classes populares, no qual parcela da população (por exemplo, em situação de vulnerabilidade social e vivendo em uma habitação com alto grau de precariedade) poderia estar sendo beneficiada com a aquisição de um imóvel regularizado e em bom estado, mesmo em uma área distante; enquanto que outra parcela da mesma comunidade (com sua inserção social mais ou menos estabilizada em razão de vínculos estabelecidos com redes sociais e de trabalho formais ou informais) poderia estar sendo vulnerabilizada pela sua exclusão da área na qual organiza sua reprodução social. Dito de outra forma, o direito à moradia pode estar ao mesmo tempo sendo negado e promovido, desde que permita e não ameace o processo de mercantilização da cidade.

Nesse plano, é preciso levar em consideração que os despejos e as remoções ocorrem sob a legitimidade conferida pelo Poder Judiciário (que permite e determina as remoções) e da ordem pública, que operam no conflito entre, de um lado, os processos de mercantilização da cidade – promovido pelo poder público e pela coalizão de forças que sustenta a nova governança empreendedorista empresarial, acionando o discurso do interesse público em torno do desenvolvimento econômico e social – e, de outro, os processos de desmercantilização da cidade e de promoção do direito à moradia, encarnado pelos movimentos sociais organizados em torno da reforma urbana e do direito à cidade. Mas ambos os processos e discursos se expressam em políticas públicas e aparatos institucionais no interior do aparelho de Estado, apesar da lógica mercantil ser a dominante e hegemônica. Daí resulta a dificuldade de enfrentamento desse projeto.

Nesse ponto, cabe levantar a importância das intervenções urbanas nas cidades-sedes respeitarem o direito à moradia estabelecido na Constituição Brasileira e no Estatuto das Cidades, garantindo a permanência das famílias nas áreas por elas ocupadas, ou, em caso de absoluta necessidade de sua transferência para outras moradias, garantindo-se a discussão com as comunidades do projeto de reassentamento em área próxima, e o acesso à moradia digna através do procedimento chave-por-chave, ou seja, a saída das família para outro imóvel já construído e pronto para ser ocupado.

Cabe ao Conselho das Cidades definir critérios que devam ser cumpridos pelos governos estaduais e municipais como requisito para o recebimento de recursos do governo federal. Sem o respeito ao direito à moradia não pode haver repasses de recursos do governo federal.

4. A lógica da exceção na intervenção do Estado

Por fim, as intervenções em curso revelam a incapacidade do Estado em se pautar por critérios universalistas, centrados no objetivo da inclusão social dos diferentes grupos sociais à cidade, e a crescente adoção de um padrão de intervenção centrado na exceção, focado em certas áreas da cidade com capacidade de atração de investimentos, subordinando as políticas, implementadas de forma discricionária, aos interesses de grandes grupos econômicos e financeiros que comandam a nova coalizão empreendedorista empresarial. Os projetos determinam o que pode e o que não pode ser realizado (Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas aqui, um porto ou um teleférico acolá), as comunidades que podem permanecer e aquelas que precisam ser removidas, legitimados, em primeiro lugar, pelo discurso do desenvolvimento, e de forma subsidiária, pelo discurso da ordem, da ilegalidade fundiária ou do risco ambiental. Se existem direitos coletivos e sociais estabelecidos no Estatuto da Cidade, relativos à moradia e à participação nos projetos urbanos, estes serão aplicados de forma diferenciada segundo o grupo social envolvido em um determinado conflito.

No caso da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas, esse padrão de intervenção pela exceção fica bastante evidenciado na subordinação das ações do poder público às exigências dos organismos internacionais que coordenam esses megaeventos esportivos, a FIFA (Fédération Internationale de Football Association) e o COI (Comitê Olímpico Internacional).

5. Recomendações para o Conselho das Cidades

Tendo em vista o exposto, destacam-se quatro recomendações:

(i) a criação de uma instância no âmbito do governo federal para monitoramento das intervenções vinculadas à Copa do Mundo, com a participação do Conselho das Cidades; e a criação de um grupo de trabalho específico sobre o tema, no âmbito do Conselho das Cidades.

(ii) a necessidade de criação de critérios para a liberação dos recursos federais, associados ao respeito ao Estatuto da Cidade e ao direito à moradia, em especial, e a necessidade dos projetos serem discutidos com as comunidades envolvidas e com a sociedade como um todo; e a necessidade de respeitarem o direito à moradia digna das famílias afetadas pelas intervenções.

(iii) o monitoramento, pelo Conselho das Cidades, da aplicação, pelas cidades-sedes, dos instrumentos de captura da valorização fundiária previstos no Estatuto da Cidade e nos planos diretores, nas áreas que estão sendo objeto de intervenção.

(iv) a proposição de critérios para a aprovação dos projetos de mobilidade vinculados à Copa do Mundo, associados a integração dos modais – envolvendo ciclovias e calçadas – a acessibilidade em relação as tarifas, a acessibilidade dos deficientes físicos, e a priorização de investimentos em áreas ocupadas pelo população de baixa renda. Sugere-se que o Conselho das Cidades, através do Comitê Técnico de Mobilidade, e por meio da mobilização de pesquisadores e consultores - faça a análise de todos os projetos vinculados à mobilidade urbana nessas cidades.

(v) a análise dos impactos sociais gerados pelas intervenções já realizadas e medidas de reparação nos casos de violação do direito à moradia e do direito à cidade que forem identificados.

(vi) a realização de um seminário nacional promovido pelo Conselho das Cidades, dedicado à discussão do projeto da Copa e das Olimpíadas e de seus impactos sociais, urbanos, econômicos e ambientais.

PRIMEIRO DEBATE – ASSESSORIA PARA A AUTOGESTÃO

Primeiro debate do Ciclo Internacional PRÁTICAS DE MORAR. Produção, gestão e vida coletiva. Mais informações no blog do evento.




O primeiro debate se realizou no dia 09/12/2011 no auditório da FA-UFRGS. Contamos com a presença de pessoas provenientes de movimentos urbanos, universidade, poder público e iniciativa privada, num total de aproximadamente 40 pessoas.
Segue a apresentação inicial feita pelo debatedor convidado, Pedro Fiore Arantes. Em breve disponibilizaremos o conteúdo do debate.

História e contexto brasileiro recente da autogestão urbana

Devemos entender que a luta por autogestão da cidade, da vida, é uma luta que tem uma história e esta história faz a diferença no momento em que levantamos a bandeira… Falar em autogestão nos anos 1980 tinha um significado. Falar em autogestão hoje tem um significado totalmente diverso. Resgatar práticas que foram vitoriosas em determinado momento hoje, que elas definitivamente não são vitoriosas, pode por de ponta-cabeça, inclusive, o sentido emancipador da experiência.
nclusive, o sentido emancipador da experiência.
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Para além da moradia: construir territórios de Poder Popular na luta anticapitalista. (…) Ou a gente cria práticas anti-hegemônicas, ou melhor não fazê-las, entregamos para as construtoras. A partir do momento que o movimento começa a aceitar que a construtora faça a obra, que não tenha formação política, que o projeto seja uma porcaria, que seja em qualquer lugar, então vamos encerrar. Então não precisa de movimento, nem de grupos organizados, nem de arquitetos e militantes apoiando. Então este é o impasse fundamental. Ou estamos construindo o Poder Popular em direção a uma outra sociedade, ou vamos fazer outra coisa.
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… Então a idéia de reforma urbana como uma vontade popular, quase que a reforma urbana feita em Cuba, mas, enfim, depois tem outro ‘capítulo’: como é que em Cuba eles fizeram a reforma urbana em três anos e a gente está aqui, há décadas… Mas evidentemente o processo revolucionário não se instaurou no Brasil! Cinqüenta a sessenta por cento do déficit seria resolvido com imóvel vazio. Mas isto não está na agenda: a agenda que interessa às construtoras, e mesmo aos movimentos, é construir casas.
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Na gestão Erundina (Partido dos Trabalhadores)… Simbolicamente, aquilo significava a implosão do grande conjunto habitacional, mas também a implosão da herança do entulho autoritário do Brasil da ditadura e a construção do novo país e da nova cidade.
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Recomendo um texto do Florestan Fernandes, de 1992 ou 93, sobre o PT [Partido dos Trabalhadores], que ele define que, naquele momento, o PT tinha decidido se tornar um partido da ordem para gerir o capitalismo brasileiro. Vão investigar os motivos: é um partido que deixa de ser de base para ser de políticos profissionais, organizados em torno dos mandatos, enfim, aquilo que todos conhecemos… Parece uma esquizofrenia… A abertura do capital na bolsa é apoiada pelo Ministério das Cidades – é apoiada pelo governo… Esta engenharia da entrada das dezesseis maiores empresas de construção habitacional é feita junto com o Banco Central, com o Ministério da Fazenda e com a Casa Civil. Com o dinheiro que eles captam lançando ação na bolsa, eles fazem um enorme ‘feirão’ da terra urbana no Brasil!
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A bancada do cimento pede a palavra: fica com 97% dos recursos. Nós ficamos com 1,5% e os pequenos agricultores com 1,5%. Este 1,5 está servindo pra que? A idéia de que política pública é pública é uma idéia do passado, é uma política de negócios privados, também. O que interessa a uma empresa é como lucrar cumprindo um direito constitucional do brasileiro… Fazer moradias e cidade é o mesmo que produzir geladeiras? Pra nós é obvio que não, mas pro capitalista que tá fazendo MCMV é o mesmo que fazer geladeira.

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Projetos – Metodologia, trabalho e acompanhamento

Conclusões

Estamos cada vez mais considerando que a autogestão tem que sinalizar para os trabalhadores uma outra forma de organizar a vida e a luta política. Não pode ser só para aqueles cem trabalhadores “beneficiários” que vão morar lá dentro, tem que ser para todo o bairro. Tem que sinalizar que a autogestão é capaz de melhorar a vida urbana, de ampliar a vida pública, e não de reproduzir a forma do condomínio fechado. Minha fala pode parecer esquizofrênica: a primeira parte sem nenhuma margem pra criação e pensar alternativas e esta, toda mais positiva, agora. Acho que é bom ponderar entre estes pólos… As coisas não estão fáceis. A gente não pode se iludir de que continuar fazendo projetos por autogestão hoje tem o mesmo sentido de que havia há vinte anos. A gente tem que saber reposicionar o sentido das experiências para embarcar nela de uma forma crítica, não iludida, ao mesmo tempo sabendo o que fazemos e por que fazemos.