sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Copa do Mundo: ''o interesse público está sendo desvirtuado''. Entrevista especial com Thiago Hoshino

Foto: ABr
O país do futebol prepara-se para ser o anfitrião da Copa do Mundo 2014 e investe dinheiro público em obras de infraestrutura sem submeter a verba utilizada ao debate coletivo, "a mecanismos de transparência e controle social, ou mesmo às prioridades elencadas nos Planos Diretores dos municípios", alerta Thiago Hoshino na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line. De acordo com ele, o relatório do Tribunal de Contas da União – TCU revela que, "dos quase R$ 24 bilhões de investimentos federais divulgados, apenas 1,4% corresponde à parcela da iniciativa privada".


Em sua avaliação, os projetos e os investimentos destinados à vigésima edição da Copa do Mundo não "dialogam com as demandas sociais locais, mas respondem unicamente a exigências de infraestrutura e maquiagem urbana de organismos como a FIFA, assumidas de forma unilateral pelos gestores nas três esferas da federação".
Integrante do Comitê Popular da Copa de Curitiba, Hoshino participou da elaboração do Dossiê da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa - Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil, e afirma que as obras da Copa estão violando os direitos humanos e representam um "retrocesso na garantia dos direitos coletivos e sociais fundamentais". "Nesse contexto, ganham destaque as violações do direito à moradia digna, com previsão de mais de 150 mil pessoas compulsoriamente deslocadas devido a obras e intervenções urbanas diversas, as quais se justificam – ao menos ideologicamente – pela preparação desses grandes eventos", relata.
Hoshino também comenta a Lei Geral da Copa e enfatiza que ela "interessa apenas como caso de estudo teratológico, pois consiste numa verdadeira aberração jurídica".
Thiago Hoshino é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Paraná – UFPR e assessor jurídico da Organização Terra de Direitos. A entrevista a seguir foi realizada em parceria com os colegas do Centro de Pesquisa e Apoio ao Trabalhador - Cepat.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – A Articulação Nacional de Comitês Populares da Copa acaba de lançar o dossiê intitulado Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil. Dentre as várias denúncias, qual delas é mais reincidente?
Thiago Hoshino – A recepção dos megaeventos esportivos no Brasil, assim como ocorreu nas edições anteriores da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, representa um processo de profunda reconfiguração do território com vistas à expansão de novas fronteiras de acumulação do capital. A espetacularização das cidades e sua transformação em mercadoria de consumo para poucos exige a intensificação dasegregação étnico-social e produz uma espécie de "estado de exceção" que desrespeita e mesmo desconstitui garantias estabelecidas em nossa legislação interna, produto que são de lutas e conquistas históricas.


Nesse contexto, ganham destaque as violações do direito à moradia digna, com previsão de mais de 150 mil pessoas compulsoriamente deslocadas devido a obras e intervenções urbanas diversas, as quais se justificam – ao menos ideologicamente – pela preparação desses grandes eventos. Mas os problemas não se resumem a isso: são reiterados os casos de precarização das condições de trabalho,criminalização de trabalhadores informais e da população em situação de rua, falta de participação popular e de acesso às informações, degradação do meio ambiente, hipermilitarização e flexibilização do planejamento urbano. Vários exemplos disso são enfocados pelo dossiê. A elitização do próprio esporte é outra grave consequência desse modelo, obviamente.
IHU On-Line – O governo afirma que a Copa será um instrumento de ganhos para o conjunto das cidades nas áreas de transporte coletivo, urbanização, moradia, etc. Isso tem se verificado?
Thiago Hoshino – Na análise dos movimentos sociais, estamos mais próximos do oposto: um retrocesso na garantia de direitos coletivos e sociais fundamentais. Ações concentradas em áreas já bem qualificadas e ameaças de privatização fazem parte dos fatores negativos da equação. Há uma proposta de passar o próprio Maracanã para a iniciativa privada, depois de receber investimentos públicos. Transporte público? Vias inteiras estão sendo concebidas para a mobilidade de automóveis individuais ou para tímidos alguns modais coletivos que não integram a cidade, mas conectam ilhas de riqueza entre si. O caso do Veículo Leve Sobre Trilhos em Fortaleza é emblemático. Seu traçado é incoerente, desviando de bairros de classe média, mas avançando diretamente sobre comunidades carentes e ocupações irregulares. Urbanização?  Parques, áreas de preservação permanente, espaços públicos estão sendo engolidos sem pena e sem Estudo de Impacto Ambiental – EIA e Relatório de Impacto Ambiental – RIMA pelas obras.
Moradia? As remoções em massa falam por si. Segurança pública? A marca de nossa política criminal repressora são cordões de isolamento em pontos estratégicos, permitindo o trânsito livre de turistas e restringindo acesso ao povo. Literalmente, para inglês ver. A Copa do Mundo é como uma festa que darão na sua sala, porém você terá de sair de casa para deixar a visita à vontade. Afinal, que "legado" é esse de que estamos falando?
IHU On-Line – Há espaço para participação popular no debate sobre a preparação da Copa ou a organização do evento é refratária à participação das organizações sociais?  As críticas têm sido acolhidas, há correção e revisão de projetos ou a organização da Copa se faz de forma autoritária?
Thiago Hoshino – Infelizmente, não. Não há qualquer abertura para a participação popular. As prioridades eleitas não passam por discussão prévia com a coletividade. Segmentos sociais e comunidades atingidos não são consultados, nem há o que se chama Estudos de Impacto de Vizinhança. E mesmo que houvesse, como ter uma incidência qualificada se não são publicizadas as informações? A Matriz de Responsabilidades não contempla todos os projetos que serão executados e, muitas vezes, encontra-se desatualizada. Poucas são as audiências públicas realizadas e, quase sempre, meramente pró-forma. Os espaços tradicionais de gestão democrática, como os Conselhos da Cidade ou de Política Urbana, foram abandonados ou aparelhados. O padrão é o autoritarismo e o discurso tecnocrático, além do argumento dos "prazos" e do "fato consumado". Isso enseja absurdos, como notificações para desocupação de áreas com prazo de "zero dias", no Rio de Janeiro.
IHU On-Line – O fato de o futebol ser uma paixão nacional dificulta a divulgação das críticas e mesmo a participação popular nos protestos?
Thiago Hoshino – Nas mobilizações e no trabalho de base que temos realizado nos Comitês Populares da Copa, ativos nas 12 cidades-sede, vemos que, longe do que se imagina, o amor do brasileiro pelo futebol não impede que se constitua um espaço de reflexão crítica sobre o conjunto de arbitrariedades que acompanha os megaeventos. Ao contrário, o interesse geral pelo tema, o descrédito em que caíram as instituições promotoras dos jogos e os nítidos impactos sofridos pelos próprios torcedores em seus direitos – que vão do encarecimento dos ingressos até a descaracterização do patrimônio histórico-cultural esportivo – contribuem para gerar um sentimento de indignação compartilhado e a politização desse debate.
IHU On-Line – A Copa do Mundo no Brasil é um negócio privado bancado com recursos públicos? Qual a percentagem do investimento público? Os recursos do BNDES são a fundo perdido?
Thiago Hoshino – Segundo o relatório do Tribunal de Contas da União – TCU de julho deste ano, dos quase R$ 24 bilhões de investimentos federais divulgados, apenas 1,4% corresponde à parcela da iniciativa privada. Mais de 50% dos recursos advêm de linhas de financiamento do BNDES ou da Caixa Econômica Federal. Ainda que se tente caracterizar essas operações como simples empréstimos, é preciso lembrar que elas são subsidiadas pelo Estado, isto é, trata-se de concessões a juros mais baixos do que os normalmente praticados. Além disso, não raro as garantias oferecidas para acessá-las são também títulos públicos, numa arriscada engenharia financeira. É o que tem ocorrido com os Certificados de Potencial Adicional de Construção oferecidos pelo município de Curitiba aoClube Atlético Paranaense, que, por sua vez, poderá fornecê-los ao Fundo de Desenvolvimento Econômico do estado para a reforma do estádio Joaquim Américo Guimarães, ou seja, uma obra particular.
O suposto "legado" da Copa do Mundo e das Olimpíadas, portanto, está sendo construído majoritariamente com dinheiro público, em ações que já são ou deveriam ser de responsabilidade do Estado. E há estudos que apontam orçamentos ainda mais arrojados, ultrapassando R$ 100 bilhões. Contudo, o destino de toda essa verba não está submetido ao debate coletivo, a mecanismos de transparência e controle social, ou mesmo às prioridades elencadas nos Planos Diretores dos municípios. Observamos uma completa inversão de valores, pois esses projetos tampouco dialogam com as demandas sociais locais, mas respondem unicamente a exigências de infraestrutura e maquiagem urbana de organismos como a Fifa, assumidas de forma unilateral pelos gestores nas três esferas da federação. Tudo isso avalizado por alterações nas regras de responsabilidade fiscal, como a Resolução n. 3.831/2010 do Conselho Monetário Nacional, que ampliou os limites de endividamento do setor público para obras da Copa.
IHU On-Line – A partir da perspectiva econômica, já se pode afirmar quem serão os grandes ganhadores com a Copa do Mundo no Brasil?
Thiago Hoshino – Existe uma aliança transescalar forjada entre interesses políticos, tanto do Brasil por projeção internacional como o das cidades-sede, por competitividade e capital simbólico, assim como corporativos da FIFA, do Comitê Olímpico Internacional e seus parceiros em geral; da indústria cultural; de empresas do setor construtivo; de agentes de especulação imobiliária, etc. As grandes empreiteiras, por exemplo, serão fartamente beneficiadas por projetos megalomaníacos e despropositados em todo o país. Lembrando ainda que, à margem do procedimento licitatório convencional, o Regime de Diferenciado de Contratações Públicas – RDC, aprovado para esses empreendimentos, contém uma série de incertezas, contradições e brechas, já questionadas pelo próprio Ministério Público Federal em Ação Direta de Inconstitucionalidade.
Mesmo numa perspectiva puramente economicista, não há razões para se comemorar: estamos apostando muito alto numa expectativa de aquecimento pouco provável de se concretizar. A África do Sul é prova dessa fantasia desfeita e a crise que a Grécia vive hoje nos remete aos gastos fenomenais dos Jogos Olímpicos de Atenas. De qualquer modo, o importante é frisar que, quaisquer que sejam os ônus e bônus dos megaeventos esportivos, eles são desigualmente distribuídos. Os ganhadores são poucos. Os perdedores são todo o povo.
IHU On-Line – Há risco de grandes estádios ficarem subutilizados após a Copa? Quais seriam essas praças esportivas?
Thiago Hoshino – Não apenas os estádios de futebol tendem a tornar-se enormes elefantes brancos. Inúmeros outros complexos esportivos e até mesmo obras de mobilidade urbana têm sido pensados e implementados sem que se levem em consideração as realidades locais, o que certamente produzirá equipamentos que serão abandonados ou subutilizados futuramente. Seguindo o modelo de Pequim, que já começou a demolir parte das estruturas de 2008, a cada dia surgem relatos de projetos absolutamente desnecessários ou superfaturados. As recentes denúncias sobre o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT de Cuiabá confirmam essa preocupação. Ainda, conforme parecer da Brunoro Sport Business, "arenas" coma a de Manaus, Brasília e Natal demorariam, mantendo seu nível atual de rentabilidade, 198, 167 e 155 anos para serem pagas, respectivamente.
IHU On-Line – Come está a relação entre o governo federal, a Confederação Brasileira de Futebol e a Federação Internacional de Futebol? Quem mais ganhou na queda de braço da Lei Geral da Copa?
Thiago Hoshino – Há, é verdade, alguns pontos de divergência. Mas são questões localizadas.

A concepção perversa que toda a lógica de gestão empresarial dos eventos encerra não está sendo colocada em xeque. O governo federal alega que assumiu compromissos desde o momento da candidatura do país, que agora devem ser honrados. Isso significa, na prática, exigir que mudemos nossas leis para atender a contratos privados. Se é assim, para que ter Poder Legislativo na República? O conceito de "interesse público" está sendo completamente desvirtuado. É trágico notar que a queda de braço está se tornando progressivamente um caloroso aperto de mão.

IHU On-Line – O que há de interessante e de equivocado na Lei Geral da Copa?
Thiago Hoshino – A Lei Geral interessa apenas como caso de estudo teratológico, pois consiste numa verdadeira aberração jurídica. Na esteira de outras medidas similares, como a Lei do Ato Olímpico, n. 12.035/09, trata-se de um contrassenso em nossa legislação, com dispositivos flagrantemente inconstitucionais. No começo do mês, aArticulação Nacional dos Comitês Populares da Copa lançou também uma nota pública de repúdio e questionamento ao Projeto de Lei n. 2330/2011. Entre os tópicos mais problemáticos do texto original estavam os abusivos direitos de "exclusividade comercial" da FIFA, o desrespeito ao Código do Consumidor e ao Estatuto do Idoso, a liberação incondicional de vistos de entrada a convidados e clientes da Federação, os crimes temporários criados ad hoc, as justiças especiais para o evento e a responsabilidade objetiva da União por danos e prejuízos da entidade. Nas alterações que serão debatidas terça-feira próxima (20 de dezembro) na Comissão Especial constituída na Câmara dos Deputados, pouco melhorou até o momento. As justiças especiais tornaram-se um procedimento administrativo junto à Advocacia Geral da União – AGU, uma porcentagem pequena dos ingressos será destinado à "categoria D", foi inserida a liberação de venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios e até se propôs alterar o calendário escolar para não coincidir com os jogos. Vamos aceitar esse cavalo de troia?

Moradores de comunidades desalojadas para obras da Copa e Olimpíadas protestam

A remoção de famílias para a instalação de empreendimentos para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 continua gerando protestos de moradores. Mais uma manifestação contra os despejos está previsto para o próximo sábado (3), na Vila Autódromo, em Jacarepaguá, que foi notificada recentemente e deve desocupar a área. A comunidade lidera ações contra a remoção de várias comunidades da capital fluminense para áreas distantes.
As principais obras que afetam os moradores são os três corredores expressos para ônibus, chamados de BRTs. Segundo a pesquisa Megaeventos e Mobilidade Urbana: Estudo de Caso da Implantação do Sistema de BRT na Cidade do Rio, do professor visitante da Universidade Federal Fluminense (UFF) Christopher Gaffney, para construção de cerca de 100 quilômetros de vias a um custo de R$ 4,2 bilhões está prevista a remoção de pelo menos 5 mil famílias em 13 bairros.
A maioria das comunidades está no traçado da Transcarioca, que ligará o Aeroporto Internacional Galeão-Tom Jobim, na Ilha do Governador, zona norte, à Barra da Tijuca, na zona oeste. Entre elas, a Arroio Pavuna. Com cerca de 30 famílias, a comunidade fica em Jacarepaguá, na zona oeste. No local, a obra está parada no limite entre o muro da casa da presidente da Associação de Moradores Zélia Dazzi, que luta para não ser desalojada. Morando há 44 anos no local, ela questiona a remoção de todas as famílias.
Segundo a líder comunitária, para a construção de uma ponte, seria necessária a remoção de apenas sete casas. Retirar toda a comunidade da beira da lagoa, na sua opinião, é uma "limpeza social". "A ponte só vai passar em sete casas. Para que eles querem tirar todo mundo?" Segundo ela, a remoção é uma estratégia para beneficiar empreendimentos imobiliários de luxo na região.
Este é o segundo processo de remoção que a comunidade enfrenta. No primeiro, em 2006, parte da comunidade foi desalojadas para obras dos Jogos Pan-Americanos, que não foram feitas.
Integrante do Comitê da Popular Rio Copa e Olimpíadas, Marcelo Edmundo acompanha os processos de remoção em várias comunidades desde 2010. Ele disse que os despejos devem ser evitados ao máximo. Segundo Edmundo, as primeiras ações de remoção mostraram que as indenizações não são suficientes para os desalojados comprarem novas moradias ou pagar aluguel.
"Diante da situação em que vive o povo, com dívidas, carnês para pagar, no sufoco, receber um dinheiro é sempre tentador, mesmo que logo depois se perceba que a grana não dá para nada", declarou. Ele explicou que, em geral, as indenizações não reconhecem a posse do imóvel ", o que reduz o valor das avaliações, levando a compensações irrisórias".
A Secretaria de Habitação não tem uma previsão de quantas famílias serão reassentadas para obras. Mas informa que as remoções são feitas de maneira democrática. Os moradores podem optar por apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida; aluguel social (R$ 400 por mês) ou transferência para outro imóvel por meio da aquisição assistida. Para atender as reclamações, a secretaria informou que um decreto foi revisto e passou a incluir novos valores de indenizações.
O Comitê Popular da Copa contesta a prefeitura e diz que as casas do programa ficam na periferia , longe do local de origem das famílias, "em condições inadequadas ou pior" que o imóvel original.
A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia, Raquel Rolnik, que foi acionada pelas comunidades, declarou que a política da prefeitura tem empurrado famílias para regiões sem infraestrutura urbana e empregos. "Se há uma compensação baixa, a pessoa vai necessariamente virar um sem-teto- e criar uma nova favela, óbvio", alertou.
Para denunciar os problemas, no começo do mês, ao lado da Anistia Internacional e outras entidades, o comitê popular encaminhou uma carta ao Comitê Olímpico Internacional pedindo interferência nas remoções e a exigência do cumprimento da lei de despejos pela prefeitura.
Da Agência Brasil

Nova Vila Dique: novas casas, queixas antigas


Mais 70 famílias estão sendo transferidas para o novo loteamento. Mas o posto de saúde, a creche e a escola ainda não funcionam

Com um sorriso, a doméstica Ester dos Santos, 30 anos, revela a esperança de uma mudança de vida ao chegar na sua moradia na Nova Vila Dique. Ela, o marido e os três filhos são uma das 70 famílias que estão em processo de transferência para o novo loteamento esta semana.

- Vamos começar o ano com casa nova, agora é só progredir - comemora.

Moradores estão preocupados

Mas, para algumas das 548 famílias já transferidas desde outubro de 2009, a alegria dividiu espaço com as preocupações. Na casa de Marli de Fátima Alves de Oliveira, 40 anos, as paredes têm dois tipos de marcas: do conserto feito em algumas rachaduras na semana passada e de fendas que ainda persistem. Outro problema está na porta da frente, que tranca devido ao desnível do piso.

- Tem que forçar para conseguir abrir e fechar - afirma.

Assim como na moradia de Marli, é possível perceber marcas semelhantes em paredes de diversas outras casas.

Conserto tem sido feito

Contudo, o diretor-geral do Demhab, Humberto Goulart, esclarece que não existem mais rachaduras nas moradias. Segundo ele, o que aparece em algumas residências são fissuras, que podem ocorrer em qualquer tipo de construção.

- Quando é rachadura, tem sido feito o conserto - garante.

Reclamações com o Demhab

O diretor ressalta também que não há queixas recentes registradas na Conterra (construtora que fica no local e atende o loteamento) sobre rachaduras e problemas nas portas. Ele afirma que demandas desse tipo devem ser encaminhadas à construtora ou ao próprio Demhab (telefones: 156 ou 3289-7200).

E as crianças, ficam aonde?

Outra preocupação é com a creche e a escola prometidas para acolher as crianças da comunidade. Segundo o presidente da associação de moradores, Davi Lima, a última previsão que ele recebeu sobre a creche é março do ano que vem. Já a escola é um sonho mais distante: só para 2013. Por enquanto, os pequenos precisam se distribuir pelos colégios dos bairros vizinhos.

- A prioridade é colégio, creche e saúde - destaca.

A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação informou à reportagem do Diário Gaúcho que há duas licitações distintas para a construção dos prédios, mas que ambas estão ao encargo do Demhab.

À ESPERA DO POSTO DE SAÚDE

Integrante da diretoria da associação de moradores, Eni Rodrigues Silveira, 66 anos, alerta para a situação do posto de saúde, que ainda não foi inaugurado. O prédio está concluído, mas os atendimentos são oferecidos na sede de associação de moradores, em alguns turnos.

- Eu recebi um comunicado para agendar consulta lá no posto (da antiga vila). Quem precisa com urgência, tem que sair daqui pra chegar lá às 5h da manhã - relata.

Prédio só fica pronto em 2012

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) é o responsável por administrar a unidade de saúde, construída pela prefeitura. Segundo a gerente do serviço de saúde comunitária do GHC, Claunara Schilling Mendonça, a mesma equipe que trabalha na antiga vila está prestando atendimento no novo loteamento, por isso a divisão de horários.

A gerente explica que, após a entrega das chaves do posto, no final de novembro, estão sendo feitos serviços como a instalação de grades e fiação telefônica. A expectativa é de inauguração até o final do primeiro trimestre de 2012.

- Serão oferecidas consultas médicas, odontológicas, todo o trabalho que já é feito de medicina de família e de comunidade - explica Claunara.

Saiba mais

- As transferências para o novo loteamento começaram em outubro de 2009.

- Até agora, 548 famílias foram transferidas.

- Esta semana, outras 70 estão se mudando.

- Após esse período, ainda faltarão 858 famílias.

- A previsão de conclusão de toda a mudança é dezembro de 2012.



Tá com dó? Leva pra casa!

(A pedidos, segue um aviso: Cuidado! Texto com ironias. Leiam com atenção.)
Essa frase faz sucesso aqui no blog. Principalmente entre os leitores que usam seu Tico-e-Teco apenas no Natal para poder quebrar nozes e depois os mantém em animação suspensa sob temperatura de vinho branco. É proferida ad nauseam quando o tema é a dura barra enfrentada pela gente parda, fedida, drogada e prostituída que habita o Centro da pujante São Paulo – locomotiva da nação, vitrine do país, que não segue, mas é seguida e demais bobagens que floreiam discursos ufanistas patéticos caindo de velhos. É só falar da necessidade de políticas específicas que garantam qualidade de vida para esse pessoal mas, ao mesmo tempo, respeitem seu direito de ir e vir e ocupar o espaço público, que reacionários vociferando abobrinhas saem babando, querendo morder o blogueiro. Rrrrrrrrrr, au!
Afinal de contas, quem você pensa que é, jornalistazinho de merda metido a intelectual, que fundamenta seus orgasmos na estética da miséria, refestelando-se com situações-limite que colocam em risco nossa civilização, expondo as famílias de bem à escória do mundo e Zzzzzzzz… Ahn? Como? Ah, desculpe, cochilei… Enfim, tá com dó? Leva pra casa!
Fico pensando o que isso quer dizer exatamente. Como levar um dependente químico para casa vai ajudar na solução do problema?
Bem, se você é do tipo que acha bonito aquela parábola – deveras brega, diga-se de passagem – do sujeito que, diariamente, pega estrelas-do-mar e as joga na água, achando que está fazendo sua parte para salvar o mundo, meus parabéns. Mas vá fazer outra coisa, desencane de ler este texto e discutir política pública.
Para os demais, gostaria de lembrar que criticar uma política higienista serve para que o poder público respeite os direitos individuais e dê soluções reais aos problemas e não apenas espalhe-os para que sumam da vista dos mais endinheirados. Não é uma ação individual que vai resolver, mas uma mudança de paradigma: como tratamos os doentes e a quem pertence o Centro de São Paulo.
Desde esta terça (3), a Polícia Militar está agindo na região que ficou carinhosamente conhecida como Cracolândia (em clara homenagem à comuna italiana de Craco, na região da Basilicata, com 796 boas almas – se ninguém morreu hoje) para espalhar usuários e vendedores de drogas para outros pontos da cidade. Eles dizem que estão reprimindo o tráfico e o consumo, mas nem o soldado mais raso acredita nisso. Sabem que estão é limpando os arredores da Sala São Paulo, da Pinacoteca, do Museu da Língua Portuguesa e do empreendimento imobiliário conhecido como Nova Luz desse estorvo indesejável. A cada mata-leão em usuário de crack, o metro quadrado sobe de preço.
Detalhe: a operação da PM se chama “Sufoco”. Não, não é criativa, muito menos certeira. Talvez fosse melhor algo como “Operação Guardanapo de Boteco”. Não resolve o problema, apenas o espalha.
Detesto o verbo “revitalizar”. Ele tem sido usado para justificar grandes atrocidades, como se a vitalidade de um lugar fosse medida pela ausência de gente pobre. Revitalizar têm sido construir museus e praças e mandar o lixo humano para longe. Não apenas expulsando dependentes, mas também a população pobre que habita a região e que não cabe nos planos do governo. O que? Arruaceiros jogando bola e empinando pipa assustando a gente de bem? Sai pra lá!
Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem ocupar o espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é delas, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes.
Enxotar é mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de imóveis fechados para especulação e os destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública.
As ações implantadas pelas três esferas de governo não produziram nenhuma mudança significativa ainda que não fosse a estética. E o povo gosta do discurso idiota da polícia na rua (oooobra de Maluf), mesmo que essa presença não sirva. Prender traficantezinho mixuruca e mandar os usuários acenderem o cachimbo na Barra Funda ou no Brás é solução para o crack em São Paulo?
Tô sim com dó. Mas não dos dependentes químicos. Muito menos da população de rua. Tô com dó dos gestores da cidade e de parte dos seus habitantes que compactuam com saídas fáceis para problemas complexos.
Até levaria essa patota toda para casa. Mas temo não ter a quantidade de uísque e outras drogas lícitas a que alguns desses cavalheiros e damas estão acostumados.

A COMUNIDADE DE MORADORES E PESCADORES DA VILA AUTÓDROMO,  através de sua ASSOCIAÇÃO, convida a todos os participantes dos Movimentos Sociais, companheiros de outras Associação de Moradores e os demais aliados na luta pelo direito à cidade, para uma ASSEMBLEIA POPULAR  no domingo, dia 18 de dezembro,  às 15:00h, na sede da Associação, com a seguinte programação:

1.      Apresentação do Plano Popular de Desenvolvimento Urbano, Econômico e Social da Vila Autódromo – Versão Preliminar, elaborado pela Comunidade com assessoria técnica do ETTERN/IPPUR/UFRJ e do NEPHU/UFF,

2.      Discussão em oficinas temáticas; 

3.      Apresentação dos relatos das discussões de grupo

4.      Propostas, discussões e aprovação do Plano

Antes, durante e após a Assembléia haverá atividades culturais: música, poesia, exposições de vídeos e fotografias.  

VENHAM  TROCAR EXPERIÊNCIAS E SABERES! VAMOS FORTALECER NOSSAS LUTAS!  PELO DIREITO À CIDADE, PELO DIREITO À CIDADANIA!
ESTE É O NOSSO PLANO  PARTICIPE – DISCUTA - DECIDA

LUTAR PARA PLANEJAR, PLANEJAR PARA LUTAR



FÓRUM ESTADUAL DE REFORMA URBANA - FERU/RS

Remoção da Vila Nazaré até 2013

A construção das novas moradias para as 1.313 famílias que moram na Vila Nazaré, na Capital, deverá começar neste primeiro semestre, segundo o superintendente Financeiro-Comercial do Demhab, Jorge Luís Vani Dusso. Segundo ele, 930 famílias serão transferidas para a rua Irmãos Maristas, no bairro Timbaúva, e 383 para a rua Senhor do Bom Fim, no Sarandi.

A remoção foi autorizada pelo Ministério da Aeronáutica devido às obras de ampliação do Aeroporto Internacional Salgado Filho. "O projeto de reassentamento está na fase de contratação dos projetos junto a Caixa Econômica Federal", declarou Dusso.

As obras receberão recursos do governo federal (50%) e os outros 50%, contrapartida da prefeitura. O investimento total é de R$ 127 milhões. Os conjuntos habitacionais terão casas, sobrados e apartamentos, creches, postos de saúde, escolas com turno integral, unidades para resíduos recicláveis, estabelecimentos comerciais, de serviços e acomodações adaptadas para pessoas com deficiência. A expectativa é entregar os loteamentos até o 1 semestre de 2013.


CP - 03/01/2012

É o mesmo projeto da Dique "Urbanização de Assentamentos Precários". Recebeu repasses do OGU no 
mesmo período.

Os locais de reassentamento: AEIS na Rua Bom Fim e ao lado do Cesmar (ao lado daquele
local onde são instaladas as casas de passagens).