segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CE: Moradores atingidos pelas obras da Copa dizem "não" ao governador do Ceará




O Governador do Ceará Cid Gomes foi à comunidade Aldaci Barbosa, no dia 02 de agosto de 2011, para tentar convencer os moradores a deixarem suas casas para viabilizar obras do Veículo Leve sob Trilhos (VLT), obra em favor da realização da Copa do Mundo de 2014 em Fortaleza.


Entretanto, membros da própria comunidade e parceiros protestaram contra a ação e o político e sua comitiva foram embora do local antes de concluírem a "visita".

http://comitepopularcopapoa2014.blogspot.com/2011/08/ce-moradores-atingidos-pelas-obras-da.html

O Morro é Nosso

Vídeo mostra a Luta dos moradores do Morro Santa Teresa em Porto Alegre contra o Projeto de Lei 388/09 enviado à Assembleia Legislativa pela então governadora do RS, Yeda Crusis, que autorizava a venda da área onde vivem mais de 20 mil pessoas. 
Com a vitória das comunidades, obtida com a derrubada do PL 388, as comunidades se organizam para lutar pela regularização e urbanização das vilas em torno do Morro.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Despejo forçado em Itabira: terrorismo do Estado

As bananeiras, as mangueiras, as hortas, os jardins, as casas, os sonhos... Tudo foi arrancado para ceder lugar a um bairro nobre
05/08/2011
Gilvander Luís Moreira Nos dias 1º e 2 de agosto de 2011, em Itabira, MG, Brasil, no bairro Drummond, 300 famílias sem teto que ocupavam, há 11 anos, uma área abandonada, que não cumpria a função social, foram vítimas de um despejo forçado. A família Rosa, que ganhou na (in)justiça a reintegração de posse, deve à prefeitura de Itabira mais de 1 milhão de reais, em IPTU, dívida não executada por nenhum prefeito de Itabira nos últimos 47 anos.
Dezenas de policiais de Minas Gerais ocuparam a comunidade Drummond, por vários dias, fortemente armados, antes do dia marcado para o despejo (1º de agosto) e pressionaram as 300 famílias a sair. “Se vocês não saírem antes do dia 1º de agosto, sairão sob a mira das armas”, era o recado.O Governo de Minas (PSDB + DEM), o Tribunal de Justiça e o juiz da 1ª Vara Cível de Itabira, André Luiz Pimenta, e a família Rosa não apresentaram uma alternativa de moradia digna para as 296 famílias com renda de 0 a 3 salários – segundo cadastro da prefeitura.Dia 2 de agosto, último dia do despejo forçado, centenas de policiais, fortemente armados, com dezenas de soldados da cavalaria, com dois helicópteros e vários tratores, foi consumada uma verdadeira sexta-feira da paixão em Itabira: o despejo forçado de 300 famílias sem teto.O prefeito de Itabira, Sr. João Izael (do PR), montou um “Campo de refugiados” – “campo de concentração de guerra” -, do outro lado da cidade e chamou de “abrigo” cubículos de madeirite, de 3 X 4 metros, um estábulo que não serve nem para animais irracionais. Muitas famílias ao serem jogadas nos cubículos, chorando, clamaram: “Não somos cachorros para viver num caixote desses, não.” Pouquíssimos banheiros para 50 famílias...

Dezenas de caminhões e caçambas, escoltados pela polícia, levaram os pertences das 300 famílias de Drummond. Para onde? Não se sabe ao certo. Nos cubículos do “abrigo” não dá para as pessoas dormirem, quanto mais para colocar os móveis e objetos das famílias.O déficit habitacional em Minas Gerais está acima de 1 milhão de moradias. O (des)governo de Minas (PSDB + DEM), em 12 anos, construiu apenas 28 mil moradias no estado, nenhuma na capital. Mesmo diante deste cenário, em Itabira, um massacre branco ocorreu: 300 casas de alvenaria, construídas com muito suor e trabalho árduo, foram destruídas com vários tratores e 300 famílias jogadas nas agruras da “rua”. Indenizarão as famílias pelos prejuízos sofridos? Óbvio que não. O povo deve ter investido na construção das 300 casas de alvenaria mais de R$ 4 milhões. Puderam levar só algumas portas e janelas. Isso enquanto há 9,8 milhões de pessoas sem casa no Brasil. É a opressão da classe dominante sobre a classe empobrecida. É o “projeto de políticas públicas” que um Estado capitalista, com “políticos profissionais”, tem para os pobres. Diante deste quadro, como calar? Como obedecer? Como não ouvir o grito de dor, o clamor...?Numa postura de Pilatos, oficiais de justiça, policiais, funcionários da prefeitura de Itabira, o juiz, desembargadores e .... alegavam: “estamos cumprindo ordens.” A esses recordo: ninguém está obrigado a cumprir leis e ordens injustas. A lei maior do Deus da vida diz: não matarás! nem sob o fogo das armas e nem a conta-gota. A Carta magna do Estado brasileiro, logo no primeiro artigo, assegura como princípio fundamental a dignidade da pessoa humana. Todas as demais leis, ordens, ações públicas ou privadas só devem ser respeitadas e cumpridas se respeitaram este princípio, caso contrário, trata-se de leis e ações imorais e inconstitucionais.O Ministério Público Federal encaminhou parecer ao Governador Anastasia, dizendo: “Preocupa-nos o fato de que os despejos forçados, por si só, possuam efeitos profundos e duradouros na vida das famílias atingidas, sendo incompatíveis com o cumprimento de diversos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, afirmados em nossa Constituição Federal de 1988 e na legislação interna em matéria de proteção à dignidade da pessoa humana e do direito humano à moradia.”Nunca vi tanta desolação, tanta dor e tanta lágrima! Crianças, mulheres, homens, doentes e idosos com voz trêmula desabafavam: “Isso é um terror! Estão nos apunhalando. Querem nos matar aos poucos.” Várias pessoas foram hospitalizadas. Mulheres grávidas que, sob o choque do despejo, estão com a gravidez em risco.As bananeiras, as mangueiras, as hortas, os jardins, as casas, os sonhos... Tudo foi arrancado para ceder lugar a um bairro nobre – condomínio de luxo – que a família Rosa fará na área. Com essa ação injusta e covarde, esse território ficou amaldiçoado.Para as 300 famílias que, com hortas, bananal e muita criatividade, conquistavam sua alimentação, agora, despejadas, resta a fome, a humilhação, o descaso, a dor... e se levantar e continuar lutando.

Centenas de crianças foram jogadas em cubículos de madeirite, de 3 X 4 metros, sob um calor federal. Cadê o respeito à dignidade humana? É assim que se cria “marginais”: marginaliza-se para depois dizer em alto e bom som, em todos os meios de comunicação: “são marginais”. Mas quem os marginalizou? Aliás, por que a Imprensa de Minas não esteve no local para noticiar o que aconteceu? Está “censurada” pelo capital. Os direitos de centenas de crianças, assegurados no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), foram pisados. Jogadas em um Campo de Refugiados, do outro lado da cidade de Itabira, não poderão continuar na escola. Triste de um país que humilha suas crianças! Por que o juiz e o TJMG não puderam esperar construir moradias dignas para as famílias?Mas, despejo forçado, injustiça, opressão e humilhação não são, não podem ser, não serão as últimas palavras! O povo seguirá lutando em Itabira, em Minas Gerais, em todo canto do Brasil e do mundo. As últimas palavras hão de ser Liberdade, Justiça social, dignidade humana e planetária. Mesmo com lágrimas, nossos braços se erguerão e do nosso peito sempre um forte grito, rasgando o céu e o chão, ecoará: PÁTRIA LIVRE! VENCEREMOS! Um domingo de ressurreição brotará da luta dos justos e dos pobres. Gilvander Luís Moreira é Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, em Belo Horizonte – e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina
 Fotos cedidas por Gilvander Luís Moreira

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Reintegração de prédio ocupado em São Paulo deixa 200 sem moradia

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Rede Brasil Atual - [Jéssica Santos de Souza] Famílias deixaram pacificamente o prédio que ocupavam na região central da cidade e montaram acampamento em frente ao local para aguardar atendimento da prefeitura.A Polícia Militar cumpriu na manhã de sexta-feira (29) uma sentença de reintegração de posse que deixou 200 pessoas, incluindo crianças e idosos, sem moradia. As famílias de sem teto ocupavam um prédio em condições precárias na alameda Nothmann, em Campos Elíseos, na região central de São Paulo. Os moradores deixaram o prédio pacificamente e decidiram montar um acampamento em frente ao imóvel para aguardar um posicionamento da prefeitura sobre atendimento habitacional para as famílias.A decisão judicial foi tomada na terça-feira (26) pela juíza Márcia Cardoso, da 37ª Vara Cível de São Paulo. Segundo a sentença, "o imóvel é conhecido pela Secretaria Municipal de Habitação como objeto de 'assentamento'".Antes da retirada, Benedito Roberto Barbosa, o Dito, um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia (UMM), foi levado para o distrito policial acusado de desacato a autoridade. Ele é a referência de negociações entre as famílias e a polícia. Sem ter acesso à alimentação, um ativista do movimento atirou um saco de pão para o alto, em direção às janelas do prédio. Antes que Dito atirasse outro pacote, com o mesmo objetivo, foi agarrado por três policiais e encaminhado para a delegacia. O líder já foi liberado, mas registrou boletim de ocorrência contra a Polícia Militar por excesso na prisão.O defensor público Douglas Tadashi Magami considera a detenção de Dito "um ato que se traduz em uma criminalização dos movimentos sociais". Ele explica que se as pessoas não forem sequer encaminhadas a abrigos provisórios, onde a defensoria poderia entrar com ação civil pública contra a prefeitura.Ocupantes relataram que não têm para onde ir e que dependem do local para não voltar a morar nas ruas. A líder da ocupação, Maria Carmelita Santos de Jesus, diz que as famílias não vão sair da calçada na frente do prédio reintegrado sem ter uma moradia definitiva ou o atendimento por meio do bolsa-aluguel.Ela conta que o documento de aviso da reintegração de posse chegou há oito dias e que na quarta-feira (26) foram abordados por funcionários de prefeitura que ofereceram vagas em albergues. "As famílias não tem para onde ir, são todas pessoas carentes que precisam de apoio. Vamos permanecer aqui na calçada até a prefeitura resolver a situação." afirma Carmelita.Segundo a advogada Juliana Avanci, o processo judicial tem fragilidades, já que estariam faltando documentos de comprovação de posse por parte do autor da ação, como recibo de pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) ou outro tributo relacionado ao imóvel. A peça seria baseada em um boletim de ocorrência. Além disso, o prédio estava abandonado, segundo os sem teto.OcupaçãoDe dois andares e sem manutenção, o prédio era dividido entre as famílias, garantindo a cada uma seu espaço. Havia pouca iluminação nos corredores e, segundo moradores, fazia menos de dois meses que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) havia religado o fornecimento de água. Muitos moradores trabalham como catadores de material reciclável, e os que estão desempregados são ajudados pelos vizinhos de ocupação.Michel Anjos José da Silva vivia no local com a mulher e três filhos há oito meses. "Vim da Bahia e acabei perdendo meu emprego porque meu filho ficou doente e minha mulher de barriga (grávida), tive de cuidar dele" conta, emocionado.Outro morador, Jeferson de Paula Gomes, relata que vive nas ruas há mais de 20 anos e não tem outro destino aonde ir com a esposa. Ele começou a trabalhar em julho para uma empresa que presta serviços à prefeitura, mas não recebeu ainda o primeiro salário. "Eu gosto de trabalhar, nunca fiz nada errado. Na rua, roubam nossos documentos e nossas coisas. Antes daqui fiquei um bom tempo dormindo com a minha mulher na praça da Sé. Só quero ter onde morar", desabafa.

http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=18186%3Areintegracao-de-predio-ocupado-em-sao-paulo-deixa-200-sem-moradia&catid=63%3Arepressom-e-direitos-humanos&Itemid=78

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sandra Quintela: “É um espetáculo para inglês ver”

por Luiz Carlos Azenha
Quando o Rio se preparava para sediar os Jogos Panamericanos de 2007, o discurso era o mesmo que se ouve agora, sobre o futuro da cidade depois da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Para justificar o investimento de 30 milhões de reais, muito se falou no “legado do Pan”.
Quatro anos depois, a economista Sandra Quintela, do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), diz que praticamente não houve legado para a população em geral. As obras custaram dez vezes mais, perto de 300 milhões de reais. Dois equipamentos construídos com dinheiro público foram privatizados — o Engenhão para o Botafogo, que ganhou a concessão por 36 mil reais mensais e a Arena Olímpica, hoje Arena HSBC, pela GL Events, até 2016.
Outras instalações, como o Parque Aquático Maria Lenk, tem tido uma utilização muito abaixo do que se imaginava então. E, segundo Sandra,o Centro Nacional de Tiro Esportivo Tenente Guilherme Paraense, em Deodoro, só voltou a ser utilizado recentemente, nos Jogos Mundiais Militares.
Isso, numa cidade e num estado que exibem deficiências graves. Sandra exemplifica com os problemas no Hospital Rocha Faria, as dificuldades no trânsito — uma viagem entre Campo Grande, na zona Oeste e o centro do Rio pode levar três horas — e os professores estaduais em greve, com um salário-base de cerca de 700 reais.
Ela também lembra que a Vila Olímpica, construída com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, “foi entregue ao mercado imobiliário”.
Mas a preocupação da economista se volta para o futuro.
Ela decorre de três questões pouco debatidas pela sociedade e aprovadas a toque de caixa pelo Executivo e pelo Congresso: o aumento no limite de endividamento das cidades e estados-sede da Copa de 2014; a alteração na Lei de Licitações, que permite a uma empresa assegurar uma obra sem o projeto definitivo, ou seja, sujeita, em tese, a numerosos aditivos; e as isenções fiscais que serão concedidas ao Comitê Organizador Local (COL), à FIFA e a outras empresas ligadas à promoção da Copa de 2014.
A combinação de renúncia fiscal com endividamento público é concreta; as projeções de benefícios, meras projeções.
A economista lembra que as promessas de que não haveria dinheiro público investido nos estádios já se esfarelou. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), diz Sandra, só 1,44% dos R$ 25 bilhões previstos em investimentos para a Copa virão da iniciativa privada. O BNDES e a Caixa Econômica Federal, afirma, estão garantindo 50% dos recursos para os estádios.
Sandra teme que o que aconteceu no Rio, com o “legado do Pan”, vá se repetir no Brasil: investimentos públicos agora gerando lucro privado mais tarde. Com a conta paga pela população.
Embora as condições da Grécia sejam bastante específicas, a economista adverte que existe consenso de que os gastos com as obras para as Olimpíadas de 2004, em Atenas, foram um agravante para a crise econômica hoje enfrentada pelo país.
Faz uma pergunta: “A partir de 2017, quem é que vai pagar a conta?”.
E conclui: “É um espetáculo para inglês ver”.
Para ouvir a gravação, clique aqui:
 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Copa: Movimentos e moradores de Itaquera protestam contra remoção de famílias e uso de verba pública em obras

010811_itaqueraAgência Brasil - [Vinícius Konchinski] As obras em Itaquera receberão R$ 420 mi da prefeitura de São Paulo e R$ 70 mi do governos estadual

Integrantes de movimentos sociais e moradores de Itaquera, na região leste da capital paulista, promoveram neste sábado (dia 30) um ato contra o uso de verbas públicas em obras para a Copa do Mundo de 2014 e as remoções que essas obras devem causar. Juntas, cerca de 300 pessoas deram um abraço simbólico na área do futuro estádio do Corinthians, local que receberá jogos do Mundial.
As obras do estádio, em Itaquera, receberão R$ 420 milhões em incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo. O governo paulista também vai investir R$ 70 milhões na construção da arena, que será privada.
Para os manifestantes, a aplicação de dinheiro público na obra é um exemplo dos vários erros que o Brasil vem cometendo em sua preparação para o Mundial. “Esse dinheiro poderia ser investido em moradias, escolas e universidades”, afirmou Tita Reis, morador da região leste e membro do Comitê Popular da Copa em São Paulo.
“Nós não somos contra a Copa”, complementou Benedito Roberto Barbosa, da Central de Movimentos Populares (CMP) e também do comitê popular sobre o Mundial. “Só somos contra o que a Copa tem de errado.”
Segundo Barbosa, por causas das obras para o Mundial, milhares famílias de Itaquera serão removidas de suas casas. Muitas, por morarem em ocupações irregulares, temem não ser indenizadas por terem de deixar sua habitação.
A professora Ana Paula Cordeiro, de 31 anos, é uma das que temem as remoções. Ela mora há 11 anos em uma área ocupada de Itaquera. Nesta área, será construída uma ligação entre duas avenidas de acesso à região. Essa obra, segundo ela, ameaça casas de mil famílias. “A gente sabe que vai ter a obra, mas não sabe como vamos ficar”, reclamou Ana, durante o ato. “Tudo o que está sendo construído é a favor da Copa, nada é a favor da população.”

Populações crescem nas periferias, mas transporte público continua ineficiente

Por: Stênio Ribeiro
Brasília – A falta de transporte adequado e em quantidade suficiente é um dos principais gargalos na administração dos grandes centros urbanos, que concentram 83,096 milhões de brasileiros (42,5% da população), de acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre mobilidade urbana feita entre 2001 e 2010. No período, a concentração manteve-se estável em relação aos 42,3% registrados em 2000.
As cidades periféricas das regiões metropolitanas têm crescido bem mais que as cidades que deram origem aos agrupamentos populacionais, em virtude, principalmente, dos altos preços dos imóveis nas áreas centrais. Realidade conhecida na prática, mas agora confirmada por estudo do Ipea sobre Dinâmica Populacional e Sistema de Mobilidade nas Metrópoles Brasileiras.
A avaliação do Ipea sobre a ocupação demográfica nas 36 regiões metropolitanas (RMs) e nas três regiões integradas de desenvolvimento (Rides), nos últimos dez anos, salienta que as populações de menor poder aquisitivo têm se deslocado cada vez mais para longe dos grandes centros, embora a oferta do maior número de empregos continue nos núcleos regionais.
Com isso, a região de moradia do trabalhador se afasta dos locais de trabalho, em decorrência, principalmente, das construções de grandes empreendimentos imobiliários onde o terreno é mais barato, de acordo com Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea que apresentou o estudo sobre mobilidade populacional.
Segundo ele, o deslocamento da população cria a necessidade de um sistema metropolitano de transporte adequado às necessidades da comunidade, mas isso é incompatível com a capacidade de financiamento dos municípios, isoladamente. Também não existe aporte suficiente de recursos dos governos estaduais para gerir o transporte público, e nem mesmo uma política específica do governo federal para as RMs.
Por isso, os novos marcos jurídicos referentes à formação de consórcios públicos intermunicipais e de parcerias público privadas podem ser a saída para a criação de instituições que possibilitem o financiamento dos equipamentos de transporte. Enquanto isso, os investimentos federais de mobilidade nas regiões metropolitanas se restringem aos sistemas metroferroviários, de pouca abrangência, de acordo com o Ipea.
Fonte: Agência Brasil